No trono está assentado,
Com o livro na mão direita,
Em forma de rolo iluminado.
Olhando de um canto, à espreita,
Indaga um anjo da sua fortificação:
— “Quem é digno de abrir o livro selado?”

O anjo olha por todos os lados,
E não há ninguém de prontidão.
Nem no espaço ilimitado,
Nem na Terra da promissão…

Olho para o anjo, pasmado,
E choro muito… Choro amargurado…
O anjo torna a olhar para os lados,
E ninguém… Ninguém pode abrir o livro selado.

— “Não chores!”
(Ouço a voz do Cordeiro Imaculado.)
— “Da Tribo de Judá Eu Sou o Leão!
Com o meu sangue na cruz derramado
Conquistei-te a vitória, e te enviei o perdão!”

Para o trono ergo o meu olhar,
E vejo de pé o Cordeiro Imaculado
Por milhares de anjos rodeado.
Vai até o trono alumiado
E pega o livro da mão direita
D’Aquele que está assentado.
Então todos caem prostrados,
Com harpas e taças
Da cor do ouro,
E entoam esta nova canção:

— “Só tu és digno do livro pegar,
Só tu és digno do selo cortar;
Tu foste morto por morte de cruz
E adquiriste todas as multidões
De todas as gerações,
De todas as línguas e nações”.

Ergo meus olhos, novamente,
Para o trono,
Vejo muitos anjos, milhões e milhões,
Que em pé, em volta do trono,
Com vozes de trovões,
Cantam esses louvores:

— “Só tu és digno do livro pegar,
Só tu és digno do selo cortar!”

E todos os que estão
No céu o louvam,
Todos os que estão
Na Terra e no ar:

— “Só tu és digno do livro pegar,
Só tu és digno do selo cortar!”

Novamente,
Para o trono,
Ergo o meu olhar

E caio por terra, com o rosto molhado,
E suavemente
Começo a cantar…

Poema de Lourildo Costa
Extraído do livro: “Os Frutos de Minh’alma”,
Editora Litteris, 2017

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